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Cabalá e Zohar

o Mazal de cada um

sabe quando a gente "sente" que algo vai acontecer?

3 min de leitura10 de março de 2026
o Mazal de cada um

sabe quando a gente "sente" que algo vai acontecer?
O Talmud traz um esclarecimento sobre o assunto, mas antes preciso recordar de uma situação bastante importante que passei.
Era dezembro de 2008, uma noite agradável no sul do Rio de Janeiro. Minha mãe me pede pra não sair aquele dia, eu costumava sair todas as noites. Especificamente naquele dia ela me pediu pra que não saísse, todos sabemos o que dizem sobre sentimentos de mãe.

Pois bem, naquele dia aconteceu um fato que mudou toda minha história, um fato terrivelmente negativo, e 14 anos depois ainda me vi sofrendo as consequências dele. Seriam as mães detentoras também do Mazal de seus filhos? É interessante refletir sobre isso. Quem nunca teve um "pressentimento", uma sensação de que algo iria acontecer? Muito comum, acho que todos temos alguma história relacionada pra contar.

Seria o anjo da guarda, o sexto sentido? A chassidut ensina que a alma de um judeu investida no corpo é apenas uma centelha, enquanto a maior parte está em níveis elevados e esse "sentimento" que temos é a centelha de nossa alma recebendo o sentimento do que não podemos ver, ainda, mas a parte elevada de nossa alma já viu e sentiu. Segundo Rashi cada pessoa tem um anjo que a representa no céu, é esse o significado do Mazal da pessoa. O Talmud, no tratado de Meguilá, traz uma questão sobre Daniel e outros três homens, três profetas.

No livro de Daniel diz: "Só eu, Daniel, percebi a visão; os homens que estavam comigo não a viram, no entanto, um grande temor caiu sobre eles, e fugiram para se esconder."

A visão é de um anjo assustador que foi a Daniel anunciar a queda iminente do império Persa.
A Guemará então aponta para o assunto do porquê os outros homens terem ficado com tanto medo se eles não viram o que Daniel viu e ela esclarece dizendo: "mazeláihu chazu" o Mazal deles viu.

Ravina, um dos sábios do Talmud, diz: "Aprenda disso que quando alguém sente um medo repentino, sem razão aparente, mesmo que não aviste a causa do seu medo, o seu Mazal a terá avistado."
O assunto é concluído com um "remédio" para o medo "premeditado", a Guemará diz para que se recite o Keriát Shemá, advertindo para que se recite em local apropriado conforme estabelecido na halachá.
De fato podemos considerar um sexto sentido. Penso que pessoas mais sensíveis a questões ligadas a alma identificam com mais facilidade esses "sentimentos".

Mais uma vez vemos que o livre arbítrio nos permite, se bem aproveitado, vivermos melhor.
Como assim? Bem, se somos livres pra escolher a espiritualidade ou a materialidade e escolhemos a espiritualidade, estudamos e praticamos coisas boas, estamos aptos a lidar até com o sobrenatural, digamos. Do oposto podemos ignorar qualquer "sinal", seja físico ou não e encararmos as consequências. Seja uma dorzinha, um mal estar, ou uma sensação de que algo vai acontecer.

Ser ignorante também é uma via transitável, a escolha é de cada um.


Mazal tov! :D

Pontos Principais

  • Só eu, Daniel, percebi a visão; os homens que estavam comigo não a viram, no entanto, um grande temor caiu sobre eles, e fugiram para se esconder.
  • Ravina diz: "Aprenda disso que quando alguém sente um medo repentino, sem razão aparente, mesmo que não aviste a causa do seu medo, o seu Mazal a terá avistado."
  • O livre arbítrio nos permite, se bem aproveitado, vivermos melhor.
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