O MOTOR PRIMEVO
Para muitos dos interessados nos mistérios e na grandeza do universo, a religião é ocupação para ignorantes. De fato, se formos aceitar a religião como algo em que o deus é uma pessoa mega poderosa e com a tarefa de absolver ou punir os mortais, que está em constante luta contra o mal e necessita para o sustento de sua existência da realização de milagres como voar e outras habilidades que o superman também tem, vamos realmente parecer tolos.

Neste artigo vou explorar paralelos impressionantes entre as mais incríveis descobertas da cosmologia e do conhecimento científico geral alcançado até hoje sobre a existência do universo e o que apresentam os sábios judeus em escritos antigos, de séculos e até milênios de publicação.
Antes mesmo que a ideia de que a Terra girava sobre seu próprio eixo fosse aceita, o Zohar, publicado no século XIII, afirmou que:
“Toda a terra habitada gira em círculo como uma esfera. Uns estão em baixo e outros em cima... Por isso, existem lugares na Terra onde, enquanto para uns é luz, para outros é escuridão; para uns é dia, para outros é noite.” Zohar, Vayicrá 10a.
Esta passagem é extraordinária porque, no século XIII a visão oficial da igreja e da ciência europeia ainda era o modelo geocêntrico de Ptolomeu, que considerava a Terra estática e fixa no centro do cosmos.
Mas isso é só um aperitivo, vamos pegar desde o Big Bang, que é onde a ciência realmente alcança e trazer nossos paralelos.
Existe uma fronteira que marca exatamente onde a ciência consegue explicar e onde ela deixa de alcançar, esta fronteira temporal é chamada de Tempo de Planck que corresponde a aproximadamente (10^{-43}\) segundos após o início de tudo, isto é, milhões de vezes menos que um segundo.
Pois bem, na física o Big Bang começa numa singularidade: um ponto geométrico de tamanho zero, sem matéria física tangível, mas contendo todo o potencial de energia e espaço-tempo comprimidos.
Os textos antigos referem-se a isto como a Nekudah Rishonah (a Primeira Estrela ou Ponto Primordial) ou Nekudah Hada (o Ponto Único). O Zohar e os comentários do sábio Nahmanides (século XIII) descrevem que, no início, a criação não tinha substância física; era apenas um ponto infinitamente pequeno, uma “semente” ou vetor de pura energia potencial a partir da qual toda a matéria posterior se expandiu.
Já antes do Big Bang, na perspetiva cabalística luriânica (ARIZAL, rabino Itshack Luria século XVI), a luz infinita de D’us (Ohr Ein Sof) preenchia toda a existência, não deixando “espaço” para mais nada.
Houve então o Tzimtzum: Para que o Universo físico pudesse existir, o Infinito teve de realizar um ato de contração, retraindo sua luz e gerando um “vácuo” ou espaço vazio (Halal) no centro.
Na física, o estado imediatamente anterior ao Big Bang exige uma compressão extrema da energia num ponto. Só quando essa energia se concentra de forma ultra-densa é que surge a instabilidade que dispara a expansão do espaço-tempo.
Após o Tzimtzum, a Cabalá ensina que uma linha de luz divina foi injetada de volta nesse espaço vazio para criar recipientes (canais de energia). No entanto, a intensidade da energia inicial era tão avassaladora que estes recipientes não aguentaram a pressão e explodiram violentamente. Este evento cosmológico é chamado de Shevirat HaKelim (a Quebra dos Recipientes). Esta quebra espalhou “faíscas” de luz e pedaços de matéria caótica por todo o vazio (Tohu vaVohu em Bereshit 1:2), dando origem ao plano físico — um paralelo direto com a grande libertação de energia e radiação do Big Bang, onde a quebra de simetria da física primordial gerou o caos de partículas que mais tarde formou o universo visível.
Agora, Maimônides para refutar a idéia de que o universo sempre existiu e sempre existirá independente de qualquer força, adaptou o conceito aristotélico do primeiro motor para demonstrar a existência divina. Argumentou que o universo está em movimento contínuo, e como nenhum corpo finito pode possuir poder infinito, deve existir um mover infinito e incorpóreo que sustenta todo o movimento cósmico.
Este Mover é identificado como D’us.
Um segundo argumento crucial de Maimônides é a postulação de um "Ser Necessário".
Ele argumentou que se tudo fosse contingente seria possível que o universo deixasse de existir, o que é absurdo. Logo, deve existir uma “Força” cuja existência é intrinsecamente necessária e não depende de nada externo. Defendia que não podemos ter uma cadeia infinita de causas. Deve haver uma Causa Primeira que derive sua própria existência e seja única, pois a existência de dois seres independentes violaria o requisito de uma essência única.
Sobre a eternidade do universo Maimônides divergiu deliberadamente de Aristóteles.
O filósofo grego defendia a eternidade do mundo, Maimônides argumentava que isso nunca foi logicamente demonstrado. Sustentava que a teoria da criação ex nihilo era igualmente plausível, e preferiu manter-se agnóstico sobre qual teoria científica fosse definitiva.
Apesar de suas provas racionais, Maimônides insistia que D’us é fundamentalmente incognoscível.
Humanos só podem saber o que D’us não é (não é corpo, não está sujeito a mudança).
Isso criou uma tensão intencional: prova-se racionalmente a existência, mas não se pode conhecer a natureza de quem se prova.
Com todas essas informações podemos ver que, finalmente, há alguma lógica na religião.
Desde as descobertas mais remotas da ciência com relação ao “surgimento” ou criação do universo podemos trazer com argumentos sólidos nossa crença religiosa, a resumir:
1 – Tendo havido o primeiro movimento para esta existência, há o vácuo temporal que ainda não explicamos cientificamente, é completamente lógico que existe a força inicial para que este movimento (o Big Bang) tenha se iniciado.
2 – Concordando cientificamente que nem tudo pode ser contingente, tem que existir algo, alguém, alguma força, que sua existência seja extremamente necessária. Este é D’us.
3 – Não havendo nada no universo que possui uma cadeia infinita de causas, logo tem de existir uma causa primeva, o Motor Primevo ou Motor Inicial que faz tudo acontecer.
4 – Apesar da dessemelhança de nomenclaturas os episódios citados pelos sábios do passado e os descobertos pelos sábios da ciência convergem absolutamente.
Agora, pra encerrar e explodir a mente vou trazer um cálculo do grande rabino Aryeh Kaplan, de abençoada memória, que traz a idade do universo a partir deste Big Bang e que se aproxima muito do número aproximado pela ciência. Em um escrito datado do século XIII chamado de Sefer haTemuna (Livro da Figura) há a informação de que o universo opera em ciclos sabáticos de 7 mil anos. Então, se estamos atualmente no 7º ciclo, ou seja, 42.000 anos divinos já se passaram desde a criação como conhecemos
“Mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem” Tehilim 90:4.
Faça o cálculo, eu poderia descrevê-lo aqui mas é muito legal fazer e chegar à conclusão.
Então, religião e ciência caminham juntos? Não né, a religião anda um pouco na frente!
Logo depois a ciência chega, estamos juntos! Kk
Brincadeiras à parte, é importante não se deixar levar por leviandades.
A história de 6 mil anos de existência é do ser humano como conhecemos, o que não limita a criação anterior a este modelo.
Estudem a Torah, em todos os seus níveis!
É o que recomenda o grande sábio Itzhak Luria, o ARIZAL.
Grande abraço, Hayim.
Pontos Principais
- Existe uma fronteira que marca exatamente onde a ciência consegue explicar e onde ela deixa de alcançar
- pós o Tzimtzum, a Cabalá ensina que uma linha de luz divina foi injetada
- O universo está em movimento contínuo
- Sobre a eternidade do universo Maimônides divergiu deliberadamente de Aristóteles.



