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Reflexões

O preço de um bebê

texto por Julio Benchimol Pinto

2 min de leitura10 de março de 2026
O preço de um bebê

texto por Julio Benchimol Pinto

Kfir Bibas tinha oito meses quando o levaram.
Um bebê, sem dentes, sem palavras, sem pecados.
A única língua que conhecia era o choro faminto e o riso de colo.
Raptado no massacre de 7 de outubro, foi mantido em cativeiro pelo Hamas ao lado do irmão, Ariel, de quatro anos, e da mãe, Shiri.
O pai, Yarden, mantido separado foi libertado há alguns dias e tinha esperança de que teria logo sua família de volta.

Hoje, Kfir voltou. Não nos braços da mãe, mas envolto em um saco mortuário.
Veio com Ariel e Shiri, em silêncio absoluto, trocado por terroristas que voltarão a abraçar suas mães – vivos, respirando, caminhando sobre suas próprias pernas.
Na balança da humanidade, quanto vale o corpo inerte de um bebê?
Quanto custa a inocência quando negociada com a barbárie?

Um bebê assassinado por quem jura lutar pela “justiça” e pela “libertação” não tem preço, mas tem cotação: alguns homens violentos que retomam as ruas, prontos para matar novamente. Dizem que não há justiça na guerra. Mas há injustiças que gritam tão alto que perfuram até os tímpanos mais surdos.
E, entre os gritos, há um silêncio que ninguém ousa encarar: o silêncio de Kfir, a ausência de Ariel, a orfandade do tempo que nunca terão. O mundo segue, as bandeiras tremulam, os discursos continuam.

Mas que ninguém se engane: há um berço vazio em Israel, um choro interrompido, um riso que nunca mais será ouvido. E o sangue inocente continua a gritar.


Você consegue escutar?

Pontos Principais

  • Kfir Bibas tinha oito meses quando o levaram.
  • Kfir voltou. Não nos braços da mãe, mas envolto em um saco mortuário.
  • Um bebê assassinado por quem jura lutar pela “justiça” e pela “libertação”.
  • Há um berço vazio em Israel, um choro interrompido, um riso que nunca mais será ouvido.
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