Por que a Torah traz leis para o escravo?
Reflexão sobre a parashá Mishpatim e como as leis do escravo hebreu se aplicam a nós hoje, especialmente em relação ao Shabat.

Reflexão sobre a parasha Mishpatim. Em primeiro lugar devemos entender o texto original, fora dessas traduções sem vergonha de ferreira de almeida e semelhantes. Em **Shemot 21:2** diz: "…כי תקנה עבד עברי" se você adquirir um escravo hebreu…
Acontece que (עבד eved) pode ser traduzido como escravo, trabalhador, servo. O escravo hebreu era somente quem era pego no roubo e não tinha como pagar a quantia estipulada na lei em questão. Durante este período ele e seu "dono" estavam sujeitos a lei do escravo hebreu.
O servo estaria livre no sétimo ano, ano da shemitá, que é o ano do descanso da terra em Israel. Do hebraico שמטה significa literalmente libertação. Por que furar a orelha? Rabi Yochanan ben Zakai, no talmud, disse: O ouvido que ouviu no monte Sinai "não furtarás" e apesar disso foi e roubou deve ser perfurado. E ainda o ouvido que ouviu "os filhos de Israel são meus servos" ainda assim foi lá e se fez servo de outrem deve ser perfurado.
Ora, por que isso é relevante para os dias de hoje? A Torah é eterna, logo não há nada nela que não valha ainda hoje. O rebe de Lubavitch, em sua profunda sabedoria, trouxe à luz que os escravos somos nós, isso mesmo. Estamos por 6 dias trabalhando e correndo de um lado a outro e no shabat descansamos. No sétimo dia somos, finalmente, livres.
No sétimo dia voltamos a ser quem realmente somos. Não mais o médico, o empresário, o pedreiro mas sim o ser humano neste mundo físico voltado às suas origens, buscando nos unir a essência da vida, HaKadosh Baruch Hu. Nos seis dias estamos trabalhando, negociando, vendendo e comprando. Quando chega a tarde do sexto dia nos transformamos, deixamos de ser servos pra ser então livres expressando nossa verdadeira identidade, a alma tem então seu deleite.
O acendimento das velas, as preces, havdala, as canções…
Não é apenas o encerramento da semana de trabalho, mas a libertação, assumindo nossa identidade. Desde que o ser humano fez o que não devia no Gan Eden ele perdeu sua liberdade, se fez escravo. HaKadosh Baruch Hu ainda assim nos dá o vislumbre do real objetivo da vida, da criação, quando nos dá o direito ao shabat. Shemuel, um amigo meu, disse: interessante notar que estamos no ano de 5785, finalzinho do sexto milênio, faltando apenas 215 anos para o 7°.
Excelente semana!!
Pontos Principais
- Eved pode significar escravo, trabalhador ou servo
- O sétimo ano (shemitá) traz a libertação
- O Shabat nos liberta da escravidão do trabalho
- No Shabat voltamos à nossa verdadeira identidade


